A minha pausa em Bali

“Olha, e já que estás em Bali… o amor?!”

Acho que só quando recebi esta pergunta me apercebi que escolhi parar em Bali exatamente pelo amor.

Mas desenganem-se, não vim à espera de encontrar o homem da minha vida, como no filme Comer, Orar, Amar. Vim à procura do amor mais importante e aquele que nunca pode faltar. O amor por mim mesma. E confesso-vos, sei disso agora, admito isso agora. Porque no exato momento em que decidi que queria parar em Bali, o plano era estar num sítio agradável e onde conseguisse trabalhar.

Decorria o mês de Maio e eu estava no Cambodja, numa viagem de 8h numa mini-van, esmagada contra a janela por um parceiro obeso e em direção ao local onde esperava por mim o mosquito da dengue. Esta viagem marcou-me, mas não por nenhuma destas razões. Marcou-me porque nessa viagem passou-me pela cabeça parar 2 meses em Bali, e assim que o meu cérebro lançou esta informação, o meu coração disparou. Aí estava, não havia volta a dar, era mesmo isso que tinha de fazer, era isso que o meu coração queria. Contrariar o meu coração já deixou de fazer sentido para mim há muito tempo. E desde que assentei aqui que cada vez isso faz mais sentido para mim. A vida só vale a pena se vivermos em plena sintonia connosco mesmos, quando ouvimos o nosso coração e a nossa intuição e seguimos a nossa verdade, aquilo que realmente importa para nós, que nos faz vibrar, que nos ilumina e que nos faz sermos a nossa melhor versão.

Há dois meses fiz um balanço dos 4 meses de viagem onde referi que não achava que fosse uma pessoa diferente daquela que iniciou a viagem, mas confesso que hoje sinto que estou diferente. E o melhor de tudo é que estou muito feliz com essa diferença, porque acredito que sou melhor pessoa hoje. Pelo menos sinto que consegui inverter prioridades, mudar os meus valores, gostar mais de mim e estar mais alinhada comigo mesma e com o universo.

E acreditem, apesar de terem passado apenas 3 semanas, esta paragem em Bali foi decisiva para sentir esta transformação em mim. Parei e tive tempo para refletir e colocar em perspetiva os 5 meses intensos de viagem. Olhei para dentro de mim mesma, analisei quem eu era antes da viagem, quem eu sou agora e quem eu quero ser no futuro. E, o mais importante, assumi perante mim mesma o que realmente quero. Parei de mandar calar a vozinha que volta e meia me sussurra ao ouvido e escutei-a com atenção, dei-lhe oportunidade de se expressar e recordei-me a mim mesma que nada é impossível. Se abdiquei de tudo o que tinha para fazer esta viagem, também me munirei de todas as ferramentas para construir o meu sonho. E foi quando assumi isto dentro de mim, quando tomei esta decisão e senti o coração vibrar, que tudo se alinhou e senti-me a evoluir a passos largos pelo caminho certo.

Se desde sempre procurei sentir-me realizada e andei anos e anos perdida sem saber bem para onde me virar, hoje tenho a certeza que a vida só faz sentido se encontrarmos o nosso sentido na vida, e vivermos em sintonia com isso. Não calem a vozinha que vos sussurra, escutem-na, deixem-na expressar-se. Pensem diferente e dêem oportunidade aos vossos desejos mais profundos de se realizarem. Why not?

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