Ajudar quem não quer ser ajudado

Creio que já mencionei por aqui que sou fã da numerologia e quando a conheci decidi fazer uma leitura do meu mapa numerológico. No final da leitura, a Ana aconselhou-me a mudar o meu nome de assinatura porque o nome que eu estava a usar não me favorecia muito. Depois de várias contas à procura da melhor opção, ela acabou por dizer-me que dentro do possível a melhor opção era usar “Neuza Cavalinhos”. Mas logo me alertou: “Quando quiser ajudar alguém, mas a pessoa não aceitar, não insista. Pois isso vai criar-lhe imensa frustração.”. Eu assenti e segui o meu caminho, mal sabendo o que me esperava.

Esta coisa de mudar de nome, como é óbvio não tem efeitos imediatos. Nós só começamos a sentir os efeitos do novo nome quando realmente ele está incutido em nós. Eu aproveitei a minha viagem para me apropriar dele e hoje está tão incutido em mim que quando alguém me chama pelo nome antigo, eu faço uma cara feia e dou um passo atrás. É incrível como este ano me alinhei tanto comigo mesma que até o nome está alinhado.

Alinhei-me tanto que também os efeitos negativos chegaram até mim.

Este ano senti uma vontade avassaladora de ajudar os outros, de querer que as pessoas à minha volta deixassem a sua vida infeliz e se alinhassem, tal como eu fiz. Comecei até a sentir uma certa revolta quando via as pessoas à minha volta a afundarem-se numa vida sem sentido e a recusarem-se a dar o salto. Tentei ajudar de todas as maneiras que conseguia, sempre a pensar na felicidade delas. Mas a verdade é que não vale a pena quereres ajudar quem não quer ser ajudado. E essa foi uma chapada na cara que eu levei este ano.

Cheguei a passar por cima de valores meus, cheguei a sacrificar-me, a meter os outros à minha frente, tudo na ânsia de ajudar. E para quê? Para nada. Quando tentas ajudar uma pessoa que não quer ser ajudada, de nada servem os teus esforços. Uma pessoa só muda ou só age quando sente no fundo de si que o quer fazer. Por isso, não ajudes quem não quer ser ajudado.

E vou até mais longe, mesmo que a ajuda te seja pedida do outro lado, avalia primeiro se é um pedido sentido. Muitas vezes as pessoas sabem que precisam de ajuda, mas simplesmente não estão dispostas a fazer nada por elas próprias. E tu podes ajudá-las a andar, mas não podes carregá-las às costas.

Esta foi uma aprendizagem que eu trouxe para mim no final deste ano. Quando olho para trás e reflito, chego até a pensar que talvez não só não tenha conseguido ajudar nada, como até tenha prejudicado. Às vezes, o melhor que tens a fazer por uma pessoa é mesmo deixá-la atravessar sozinha a escuridão. Ao fim de algum tempo, ela vai adaptar-se ao escuro e começar a ver alguma coisa, até finalmente vislumbrar a luz ao fundo do túnel e perceber por ela mesma que é para lá que deve seguir. Por isso, agora sei que tenho de pensar duas vezes e refrear esta minha ânsia de querer ajudar.

Ajudar sim, mas ajudar apenas quem realmente quer ser ajudado e está disposto a fazer por si.

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