Aventurei-me nas duas rodas, por Neuza Cavalinhos

No início da minha viagem, quando a cheguei a Koh Lanta na Tailândia, estava a passear pela praia e uma rapariga veio falar comigo. Perguntou-me se eu também estava a viajar sozinha. Eu disse que sim e ficámos as duas a falar um pouco. Meio esmorecida, partilhou comigo que talvez tivesse sido uma má escolha visitar aquela ilha. Não sabia andar de scooter e a ilha era demasiado grande para conhecer de bicicleta. Queria conhecer os sítios fantásticos que a ilha tinha, mas não sabia como. Depois perguntou-me se eu conduzia scooter e o que estava a pensar fazer naqueles dias. Ora, o meu plano inicial era apenas fazer praia e nem fazia ideia que a ilha tinha cascatas e sítios lindos para explorar. Mas depois da conversa dela e de perceber que com o calor que estava ia ser impossível para mim passar o dia na praia, aquela ideia de conhecer o resto da ilha começou a ecoar em mim. Só que, tal como ela, eu também não conduzia scooter. Ao nível das duas rodas, apenas tinha conduzido uma scooter elétrica e em ambiente controlado.

No dia seguinte, passei o dia a martelar naquela ideia. Se não começasse a andar de scooter, não ia aproveitar nada a viagem. Pois em todos os locais iria surgir aquele problema. Iria sempre precisar de um meio de transporte para poder conhecer os sítios que interessavam. Alugar uma scooter, além de ser o modo mais barato, era também o que me proporcionava mais liberdade e me permitia andar ao meu ritmo. Passei o dia a convencer-me que tinha de o fazer e a ganhar coragem. Fui à loja de scooters perguntar preços. Disse à senhora que tinha medo de andar e ela riu-se de mim. Senti-me perfeitamente ridícula.

Ao final do dia, tinha tomado uma decisão. Apesar da ansiedade imensa que sentia em mim, decidi que no dia seguinte ia fazer-me à estrada.

Quando me levantei no dia seguinte, tinha estado a chover e a estrada estava molhada. Naquele momento, vislumbrei a desculpa perfeita para desistir. Conduzir com o piso molhado ia ser muito perigoso. Mas fui forte, afastei este pensamento, e fui tomar o pequeno-almoço antes de decidir o que fazer. Estávamos na Ásia e rapidamente o piso molhado deixou de estar. Quando voltei do pequeno-almoço, não havia mais desculpas. Enfrentei o meu desconforto e fui alugar a scooter.

Peguei na mota e fiz-me à estrada. Não imaginam a sensação fantástica que senti naquele momento. Além da sensação física maravilhosa que temos ao andar de mota, o sentimento de orgulho em mim era brutal. Só o facto de ter tido coragem para sair da minha zona de conforto era suficiente para me fazer sentir bem. No entanto, a recompensa foi bem maior. Nesse dia, tive oportunidade de mergulhar pela 1ª vez na natureza, de visitar uma cascata, ver elefantes e macacos pela primeira vez e encontrar praias paradisíacas como nunca tinha visto. Foi um dia encantado, foi um dia perfeito, foi um dia mágico. E isto só foi possível porque tive coragem de sair da minha zona de conforto.

 

rubrica: Sair da Zona de Conforto

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