Como construir o meu habitat natural

Já falei aqui como me estava a impor uma disciplina rígida que não se adapta com quem eu sou e também já falei sobre o grande desafio que é manter-me fora do sofá. E a verdade é que tenho andado às voltas a debater-me com tudo isto. Apesar de hoje a minha vida ser bem diferente daquela que era antes da viagem, sinto-me muitas vezes novamente presa ao sofá. Tentei cultivar em mim uma disciplina para que isso não acontecesse, mas acabou por ter exatamente o efeito contrário. E agora encontro-me aqui num labirinto, sem saber qual o caminho certo para dar à saída que quero para mim. Ou talvez o problema seja mesmo esse. Ainda não parei para pensar na saída que realmente quero.

Sem dúvida que ter a oportunidade de poder construir a vida que quero é algo incrível. Para alguém que precisa tanto de liberdade como eu, ter a liberdade de criar uma vida do zero feita à minha medida é extraordinário. Mas, nada na vida é fácil. E quando temos muita liberdade de escolha, torna-se mais difícil escolher. E logo para mim que gosto de tanta coisa, que me farto tão facilmente de tudo e que quero sempre novidade na minha vida. Confesso que é esgotante ser assim. Mas é a minha essência e só tenho de aprender a viver com ela.

Numa sociedade em que crescemos formatados, à vezes nem nos apercebemos como fica fácil viver da forma como nos incutem que devemos viver. É tão mais fácil fazermos algo porque nos dizem que deve ser feito assim. É tão mais fácil retirarmos de cima de nós a responsabilidade. É tão mais fácil vivermos insatisfeitos, mas responsabilizarmos os outros por aquilo que não gostamos, não temos ou não somos. Assumirmos que somos nós os responsáveis pela nossa vida e que só depende de nós sermos felizes é difícil.

E para mim, neste momento, é difícil admitir que posso fazer o que quiser com a minha vida e que mesmo assim não me sinto feliz.

Quando decidi ir viajar não fazia ideia que ia encontrar um ambiente onde encaixava na perfeição. Aliás, só agora que voltei é que tenho consciência disso. Passei tanto tempo a viver no sofá que não fazia ideia que o meu habitat natural era lá fora, no meio da natureza, do mundo, a viver com os cinco sentidos. A viver um dia de cada vez, cada dia diferente do outro, todos os dias uma novidade. O ambiente onde é impossível me fartar porque simplesmente ressoa com quem eu sou. Poder cada dia seguir para onde o meu coração me manda. Cada dia uma escolha.

Nunca foi meu objetivo fazer das viagens a minha vida. Nunca senti esse apelo. Embora confesse que ao escrever isto, me questione. Mas como posso eu reproduzir o meu habitat natural que encontrei a viajar, tendo o meu cantinho fixo? Não sei. Mas de uma coisa tenho a certeza, só vou conseguir ser realmente feliz quando conseguir construir o meu ambiente, o modo de viver que esteja totalmente alinhado com quem eu sou.

Durante muito tempo, foquei-me apenas em perceber qual era o meu caminho profissional. É verdade que sempre foi algo fundamental para mim, mas não é suficiente. Viver alinhada não é apenas fazer aquilo que gosto e que está alinhado com o meu propósito. É muito mais do que isso. É toda uma forma de viver, em cada pequeno detalhe.

Como costumo dizer, ter a consciência de algo é o ponto de partida de tudo. Agora é olhar para todas as aprendizagens que já ganhei sobre mim mesma e adaptar. Ir ajustando e testando até ao dia em que vou perceber que estou no sítio certo da forma certa.

4 thoughts on “Como construir o meu habitat natural

  1. Muito bom texto, sinto o mesmo. Podia ter sido eu a escrever, o nunca estar satisfeita e saber que me farto rapidamente às vezes é difícil.
    A incerteza do que virá depois é tão entusiamante como desafiante.
    Quero acreditar que vamos chegar ao equilíbrio que ambicionamos, o de ir e o de estar tão bem no ficar.
    Já descarreguei o ebook, já fiz os exercícios. Adorei!!
    Parabéns 😊

    1. Olá Ana Teresa, obrigada pela partilha. E sim, havemos de chegar ao equilíbrio um passinho de cada vez 🙂 Que bom que gostaste do ebook 😀 fico muito contente. Obrigada pelo feedback. beijinho grande

    1. Olá Ana, muito obrigada pela partilha. Por acaso, já conhecia a Diana e a macroviagens e sim sem dúvida que eles os dois e o que fazem como fazem é muito inspirador 🙂

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