Como encontrar o equilíbrio

Nos últimos tempos tenho-me sentido completamente em desequilíbrio. Desmotivada, com pouco foco e a ver as coisas à minha volta a desacelerarem. O sentimento de culpa invade-me e sinto que neste ritmo vai ser impossível realizar tudo aquilo que planeei para este ano.

Quando reflito sobre este panorama questiono-me se continuo a desejar o que planeei. Por vezes, deixo-me assombrar pela dúvida, mas logo penso no meu porquê e tudo faz tanto sentido que até assusta. Sinto e sei que o caminho é este, mas está difícil desviar-me das pedras. Volta e meia tropeço numa e deixo-me ficar ali por um pouco a perguntar-me se era suposto o caminho ser assim.

Sim, bem sei que não há caminhos perfeitos. E a verdade é que se não tivéssemos desafios para ultrapassar, isto não teria piada nenhuma.

Só que estou a lidar com uma realidade completamente nova para mim e quando fazemos algo pela primeira vez temos de aprender o melhor modo de fazê-lo. E é nessa luta que eu ando.

Procuro o equilíbrio em mim. O equilíbrio entre a disciplina e a liberdade. Decidi que este ano ia focar-me na disciplina e acabei a criar um sistema que nada tem a ver comigo. Defini uma rotina tão rigorosa que gerou exatamente o contrário do que queria. Simplesmente não consigo cumprir absolutamente nada do que planeei. E basicamente ando há um mês a chicotear-me por não conseguir ser disciplinada e cumprir o meu plano. E o mais estúpido é que só agora, enquanto estudava numerologia, é que me lembrei de algo que já sei de cor. Eu não nasci para viver com rotinas e horários rígidos, esse sistema não é para mim.

Tenho insónias desde que voltei para Portugal e, no outro dia, o meu irmão disse-me que era falta de stress. Eu ri-me. Mas de certo modo ele tem razão. Eu funciono melhor num sistema intenso e um pouco caótico até. Os meus picos de produtividade dão-se sob pressão e a verdade é que gosto disso. Talvez por isso sempre tenha preferido Lisboa ao Alentejo.

Portanto, as rotinas podem ser muito boas para gerir o tempo e garantir que se faz tudo o que se planeia, mas comigo não é assim tão linear. Por isso, decidi apagar todo o calendário que tinha definido para a minha vida e perceber como consigo alinhar a disciplina que sei que preciso com aquela que é a minha essência e a minha personalidade. Esquecer o abc da produtividade e perceber o que realmente funciona para mim.

Este artigo é mais um desabafo do que qualquer outra coisa, mas aproveito para vos desafiar a juntarem-se a mim nesta reflexão. Será que estão a forçar a implementação de algo na vossa vida que simplesmente não funciona convosco?

Somos todos diferentes e por isso não funcionamos todos com os mesmos métodos. E se apesar de muitos esforços não conseguimos implementar algo na nossa vida, talvez seja mesmo porque isso não encaixa com quem somos. É importante pararmos e percebermos qual o sistema que pode funcionar connosco para chegar aos mesmos resultados. Pelo menos é isso que eu vou fazer por aqui.

2 thoughts on “Como encontrar o equilíbrio

  1. Olá Neuza. Que boa reflexão, apesar de não ter passado por isso. Desde que sou trabalhadora independente que não me imponho horários rígidos. Uma das razões para querer empreender por conta própria é a flexibilidade. Logo, se numa noite eu não dormi bem e preciso de dormir mais umas horas pela manhã, faço-o sem culpas. Acordo mais tarde e trabalho e prolongo pelo dia se necessário. Enquanto que noutros dias acontece exactamente o contrário, acordo cedíssimo, cheia de energia e com vontade de colocar a mão na massa. O mesmo se aplica às refeições, sigo o que o corpo me diz. Antigamente forçava-me a tomar o pequeno-almoço pela manhã, agora só vou comer quando fico com fome (e não costuma ser logo ao acordar). Ainda bem que chegaste a essa conclusão, para poderes adoptar um sistema que se adequa mais a ti. Porque é como tu dizes, não é de todo igual para cada pessoa. Beijinhos
    Beatriz de ilhoa.pt

    1. Obrigada pela partilha, Beatriz. Sim, há que saber tirar a melhor vantagem de trabalharmos por nossa conta. Vou chegar lá certamente. Isto os primeiros tempos é que normal andar aqui em tentativa e erro. beijinho

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