Como foi mudar-me para a América do Sul

As últimas semanas na Ásia foram de alguma nostalgia. Quando decidi parar 2 semanas em Bali, a ideia ainda era voltar a pegar na mochila e visitar mais um pouco da Indonésia antes de deixar o Sudeste Asiático. No entanto, quis o destino que os planos mudassem e eu saísse direta da minha casa em Ubud para o Peru, um destino há muito sonhado.

Por isso, nas últimas semanas em Bali comecei a reviver um pouco os meus últimos 7 meses naquela parte do globo e a bater uma saudade. Agora, a viagem ia ser completamente diferente, ia deixar aquela cultura diferente e encantadora da Ásia. A América do Sul pode ter muitos encantos, mas é sempre uma cultura muito mais próxima da nossa e isso torna tudo mais confortável e um pouco menos mágico.

A mudança de planos e a vinda direta do Sudeste Asiático para a América do Sul, fez-me recuperar uma ideia antiga e fazer literalmente uma volta ao mundo, ou seja, voar para o outro lado do mundo por cima do Pacífico e assim ganhar 1 dia de vida, ou pelo menos, 12 horas. Já tinha ouvido dizer que esta viagem de avião era muito bonita, mas nunca imaginei que iria ter o privilégio de ver nascer o sol sobre as nuvens duas vezes no mesmo dia. Foi completamente impressionante e maravilhoso. Um cenário mágico que nunca vou esquecer. Para completar, o cenário montanhoso por cima da nuvens que conseguimos vislumbrar ao chegar à América do Sul é de cortar a respiração e aterrar em Santiago do Chile foi literalmente aterrar nas nuvens. Só consegui ver a pista quando as rodas bateram no chão. Incrível!

Quando desembarquei no Peru e entrei oficialmente em solo Sul Americano, começaram a surgir as diferenças. Primeiro, mudar o mindset de inglês para espanhol, já que por estas bandas saber outra língua além de espanhol e quechua parece uma coisa de aliens. Incrível como mesmo no aeroporto, os funcionários dirigem-se a ti imediatamente em espanhol percebendo perfeitamente que não é a tua língua. Se houve algo que achei incrível na Ásia, foi praticamente toda a gente falar inglês e até o miúdo que me limpava a casa em Bali falava melhor inglês do que eu.

Estou agora a fazer uma viagem de autocarro, que por sinal mete muitas viagens de avião a um canto, mas o hospedeiro do autocarro apenas sabe dizer em inglês as frases básicas que tem de dizer sempre. Houve um casal que lhe fez uma pergunta em inglês e a resposta dele foi “Desculpem o meu inglês. Utilizem o google para traduzir.”, mas disse-lhes isto em espanhol. Só rir.

A segunda grande diferença e à qual ainda estou dolorosamente a tentar adaptar-me, é o frio. Passei 7 meses a viver no calor, um calor húmido horrível, mas ao qual acabei por me adaptar. Os últimos meses em Bali foram sagrados, com temperaturas amenas e muito menos humidade. Acho que posso dizer que Bali tinha a temperatura ideal para mim, pelo menos nesta altura do ano. Agora chegar aqui e encontrar 15º sem sol foi o pânico para mim. No meu 1º dia por Lima andei com um humor de cão e tenho a certeza que foi influência do tempo. Eu naturalmente já sofro imenso com o frio e depois desta dose intensa de calor, voltar ao frio está a ser penoso. E já estou a sofrer por antecipação, pois quando chegar ao Cusco vou encontrar graus negativos durante a noite. Medo!!!! Mas pronto, são pequenos preços a pagar para realizarmos os nossos sonhos. Vou ficar congelada, mas vou aquecer a alma e o coração.

A terceira diferença foi obviamente a comida. Para mim, que não sou fã da comida asiática, chegar aqui foi uma lufada de ar fresco a nível gastronómico. Mantém-se o padrão da comida muito pouco saudável, mas pelo menos os sabores são mais familiares. Na minha primeira refeição, provei o ceviche e o pisco, comida e bebida típicas daqui. Confesso que nenhuma me surpreendeu, ou então fui eu que tive azar no sítio onde comi. Mas pelo menos sei que vou ter sempre um frango assado com batata frita e isso é claramente estar na zona de conforto 😊

Além destas grandes diferenças, a quarta foi o trânsito. Achei piada porque o taxista que me foi buscar ao aeroporto disse que Lima tinha muito tráfego. Deixa-me rir. Claro que ele nunca visitou a Ásia e não faz ideia o que é tráfego a sério. Aliás, ele ainda me perguntou se a Ásia tinha tráfego, ao qual eu disse que sim. E ele riu-se e disse “tráfego de motas?”. Enfim, absolutamente sem noção. Só mesmo quem já visitou a Ásia consegue perceber como são aquelas estradas sem regras e sem lei, onde vale tudo e atravessar a rua é claramente uma prova de sobrevivência.

Achei Lima uma cidade bonita, super bem organizada, limpa e com bastantes espaços verdes. Com bastantes ciclovias e muita gente a fazer uso delas com as suas bicicletas, muitas pessoas a passearem os seus cães nos parques ou a fazer exercício. O centro de Lima fez-me lembrar um pouco Lisboa, ou talvez já sejam as saudades da minha cidade do coração. Acho que senti falta de cafés, passei por muitos bairros apenas constituídos por prédios e moradias e encontrei poucos espaços comerciais. Mas gostei da cidade, acho que conseguia viver aqui facilmente.

Para já é isto. Agora vou a caminho de Paracas, onde vou ver alguns animais marinhos no seu habitat natural.

1 thought on “Como foi mudar-me para a América do Sul

  1. Minha querida Neuza , fiquei super feliz com a tua coragem de começar uma nova vida e mais feliz ainda por ler que te está a fazer muito bem descobrir uma nova realidade e sobretudo a Neuza que estava escondida…continua . Beijinhos

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