Custa assim tanto ser civilizado?

Talvez eu esteja com TPM e demasiado irritadiça, mas a falta de noção e civismo das pessoas consegue tirar-me do sério.

Estou em viagem há 9 meses. Não faço a mínima ideia da quantidade de hostels pelos quais já passei, mas foram imensos. E posso dizer-vos que já apanhei de tudo. Cheguei ao ponto de, durante a noite, a rapariga que dormia ao meu lado levantar-se e fazer xixi no chão. Enfim, viajar a baixo custo tem estes contras, mas ou estamos dispostos a passar por eles ou optamos por pagar mais. Eu considero-me uma pessoa fácil, com baixas exigências e não tenho grandes problemas com o que quer que seja. Facilmente me adapto a tudo e está tudo bem. Mas a falta de civismo dos outros viajantes irrita-me profundamente. Se todos formos sensatos, pensamos no bem comum e não apenas olharmos para o nosso umbigo, as coisas são tão mais fáceis para todos.

Quando cheguei ao hostel em São Paulo, no meu dormitório de 8 camas e 2 metros quadrados de espaço comum, calhou-me uma cama de cima. Não tenho problemas com camas de cima, embora prefira ficar em baixo, criei boas estratégias para ser fácil agilizar a logística de ‘viver’ no andar de cima de um beliche. No entanto, quando os companheiros de quarto acham que o quarto é todo deles, torna-se complicado. A menina do beliche ao lado achou por bem encostar a sua mochila à escada do meu beliche e espalhar a sua tralha pelo chão, obrigando-me a fazer movimentos acrobáticos para conseguir subir e descer para a minha cama sem me espatifar. E o mais engraçado é que ainda reclamou quando entrou no quarto e viu a minha mochila perfeitamente arrumada perto da cama dela (como se eu tivesse outra opção nos 30 cm2 que ela me deixou vagos).

Juro que não consigo perceber como não é óbvio que se estamos a dividir um espaço comum temos de respeitar o outro e tornar o espaço mais agradável e confortável para todos. Se todos pensarmos no bem comum, a vida é tão mais fácil.

Quando era miúda a minha mãe incutiu-me uma mensagem que ficou muito enraizada em mim. Não devemos fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós. Vejo-me frequentemente, ao longo da minha vida, a pegar nesta premissa perante as minhas ações. Sempre tive uma excelente capacidade de me colocar no lugar do outro e acho que isso é meio caminho andado para termos uma conduta mais nobre. Mas não compreendo como para tantas pessoas é tão difícil perceber isto. Como é que pessoas que viajam de mochila às costas parece que têm palas nos olhos e são tão egoístas. Simplesmente não faz sentido. Dá-me vontade de lhes perguntar o que andam aqui a fazer. Andam a viajar, mas não respeitam o mundo.

 

3 thoughts on “Custa assim tanto ser civilizado?

  1. Muitas vezes encontramos situações que, por um lado, nos irritam solenemente e, por outro, nos mostram que existem princípios que temos e dos quais não abdicamos
    Acho que esta viagem te está a mostrar pontos que para ti são essenciais e que isso irá contribuir bastante para a caminhada maravilhosa de auto-conhecimento que estás a fazer (embora, eu sei, nem sempre ela seja fácil).
    Em termos práticos, fica a dica: inspira, expira…e não pira! :o)
    Beijinhos!

  2. Dou-te os parabéns pela audácia e coragem de fazeres o que estás a fazer e ainda ter de “ignorar” (porque não há outra forma) comportamentos abusivos de falta de educação. No teu lugar, só essa perspectiva era o suficente para me fazer arrepiar caminho! ahah
    A tua ultima frase diz tudo. Tanta gente tão viajada e às vezes nem um “com licença” ou “obrigado” sabem dizer. Gostei muito de ler. Obrigada 🙂

    1. Obrigada pelo feedback 🙂 De facto, às vezes não é mesmo fácil lidar com este tipo de coisas. Mas, lá está, conhecer o mundo também é conhecer o tipo de pessoas que existem nele e aprender a lidar o melhor possível com isso. um beijinho grande

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