Faz hoje um ano que me despedi

Há exatamente um ano atrás entreguei a minha carta de demissão. Foi um momento tão desejado, tão imaginado e ao mesmo tempo tão difícil. Há já alguns meses que sabia que o iria fazer, mas formalizá-lo foi o grande passo para a grande mudança da minha vida. Antes de me despedir achava que me ia sentir super bem quando o fizesse, mas a verdade é que foram momentos de muitas emoções e de muita tensão dentro de mim. Por mais que fosse algo que eu quisesse muito e tivesse muita certeza, eu sofria um pouco de síndroma de estocolmo para com a minha empresa. E ouvir promessas de evoluções que eu no passado tinha desejado, inevitavelmente mexeram comigo, acho que é impossível não mexer. Mas eu fui firme, muito firme até, e a certeza do futuro que eu queria para mim não me fez ceder à oferta da segurança de uma licença sem vencimento e desapeguei-me por completo. E acho que se não tivesse sido assim, tudo teria sido diferente.

Acho que, na verdade, é a incerteza do futuro que me espera o que me motiva.

Saber que só depende exclusivamente de mim aquilo que vou fazer, sentir-me verdadeiramente livre para escolher o meu caminho, sem qualquer constrangimento ou influência. Tenho um mundo de incertezas e inseguranças à frente? Tenho sim. Mas isso é fantástico. Porque pode até ser estúpido, mas tenho uma gigante certeza dentro de mim que tudo vai correr bem e que vou conseguir fazer tudo aquilo que quero. Que tudo vai dar certo e vai ser exatamente como tem de ser.

Eu sei que isto não é para todos os perfis, mas começar uma vida do zero tem uma magia sensacional. Poder reconstruir-me em todos os sentidos, ter oportunidade de escolher quem eu vou ser, ou melhor, como o meu verdadeiro eu se vai manifestar em cada uma das áreas da vida, é simplesmente magnífico.

E há tanta coisa dentro de mim que quer sair cá para fora, há tanta coisa que quero fazer, que quero criar, que quero aprender. Quando penso nisso, olho para trás e dá-me uma certa tristeza por só ter despertado agora. Eu sei que tudo acontece quando tem de acontecer, mas acho que passei tanto tempo a tentar encontrar o caminho e que por mais que buscasse nunca conseguia ver a luz, e agora é tudo tão claro que até parece impossível não o ter visto antes.

Mas sei que não o veria assim se não tivesse tido este ano poderoso. Este ano que me abriu a mente e, sobretudo, que me abriu a alma e o coração. Que me permitiu conectar todos os pontos do meu ser e tornar-me uma pessoa tão mais consciente, quer de mim quer do mundo que me rodeia.

Sei que para nos conectarmos com a nossa essência, não temos de ir viajar a solo pelo mundo. Mas esta foi a maneira que me surgiu à frente porque era aquela que eu precisava. Nada é por acaso. Eu sempre fui uma pessoa demasiado mental e claramente precisava de descer à terra e viver com os 5 sentidos, e esta viagem permitiu-me exatamente isso.

Cada pessoa terá a sua forma certa para chegar mais perto de si mesma, mas tenho a certeza de uma coisa, uma viagem a solo será sempre uma experiência enriquecedora e que permitirá mais facilmente uma conexão interna. Estarmos só connosco mesmos, sem distrações externas, obriga-nos a vermo-nos. É um excelente momento para pararmos de apenas nos olharmos de relance e fixarmo-nos no que está dentro de nós, naquilo que sentimos, nas nossas emoções.

Se andas a pensar fazer uma viagem a solo, mas ainda a ganhar coragem, este é o sinal que procuras. Vai. O momento é agora.

2 thoughts on “Faz hoje um ano que me despedi

  1. Só agora li alguns dos teus posts, e penso “como é que só estou a conhecer a Neuza e o seu blog agora?”. Vou continuar a ler e a ouvir, os novos e também os mais antigos. Obrigada pelas partilhas. De certeza que vou adorar cada uma delas, como adorei as que já li até agora.

    1. Olá Joana, muito obrigada pelo teu feedback. Fico muito contente que estejas a gostar e queiras continuar a acompanhar-me 🙂 um beijinho grande

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