Laos – Quando vais fazer um trekking pela natureza e acabas num casamento local

O Laos é um país lindíssimo, com uma beleza natural incrível. Talvez por ser maioritariamente montanhoso, o verde e a água predominam.

E eu, como boa amante da natureza, não perdi a oportunidade de começar a viagem neste país por um parque nacional na província de Luang Namtha. Depois do maravilhoso trekking que fiz no Myanmar, estava desejosa por mais um aventura do género. E foi das melhores decisões, pois esta experiência entrou diretamente para o meu top.

Visitei algumas agências de aventura em Luang Namtha (existem várias) e optei pela Forest Retreat Laos para um dia de trekking + um dia de kayaking, juntando-me assim a um grupo de 3 nórdicos.

Encontro marcado para as 7h da manhã com direito a pequeno-almoço. A mim, aos dois finladeses e a um dinamarquês juntou-se mais um casal. Chegaram e sentaram-se à minha frente enquanto falavam espanhol. A voz da rapariga fazia tanto lembrar-me a da minha antiga chefe que foi impossível não sentir empatia. Depois em conversa percebi que afinal ela era Canadiana e ele Mexicano a viver no Canadá. A nós os 6 juntou-se um guia do qual não me lembro do nome, mas que não esquecerei da gargalhada.

Iniciámos os nossos 12km de caminhada pelo meio da floresta. Foi duro a valer. Passámos o dia a subir e a descer montanhas no meio de vegetação incrível e com encontros furtuitos com todo o tipo de insetos imaginários. Desde borboletas que mais pareciam desenhadas a aranhas brancas que pareciam algodão. Mas, como depois da tempestade vem a bonança, após o nosso esforço aterrámos num sítio absolutamente incrível, daqueles que parecem saídos dos filmes. No meio da floresta, junto a uma pequena baía do rio, tinhamos à nossa espera uma casa feita de bamboo. Um cenário lindíssimo. Depois de um merecido mergulho no rio gelado, fomos agraciados com um jantar maravilhoso cozinhado em lume de chão e recebemos a noite fria junto a uma fogueira teimosa entre goles de Lao Lao, o famoso whisky do Laos. Na casa de bamboo esperavam-nos umas criativas camas feitas de sacas de farinha e paus de bamboo, onde passámos a noite ao som do rio e dos animais circundantes.

No dia seguinte, um novo desafio, descer o rio de kayak. A minha estreia. Confesso que estava um pouco nervosa e por isso não demorei a chegar-me à frente para dividir o kayak com o nosso guia. E bem, foi mesmo o melhor que fiz. Apesar de no dia seguinte não sentir os braços, pelo menos não passei a viagem a ficar encalhada entre as pedras do rio. Entre os 4 kayaks tivemos de transportar também todo o material da noite anterior, uma vez que ao nosso “hotel de 5 estrelas” apenas era possível aceder de barco ou pelo trekking.

Durante a viagem fomos parando em algumas vilas e em spots para mergulhos no rio. Voltámos a parar numa cabana de bamboo no meio do caminho onde fizemos a nossa última refeição. Desta vez a dar tudo e já todos comemos com as mãos. E que bom que foi. Ah, confesso que esta experiência me deixou fã do famoso sticky rice.

Mas o melhor ainda estava para vir. Tinhamos em plano uma última paragem numa vila local. Quando nos aproximámos pelo rio começámos a ouvir música bastante alta e o nosso guia disse para nos prepararmos para a festa. Subimos até à aldeia, completamente molhados e imundos, e quando chegámos percebemos que se estava a realizar um casamento. Perguntámos ao guia se podíamos espreitar e ele disse que podíamos ir à vontade. E assim fizemos. Seguimos em passos mansos e entrámos no recinto cheio de mesas e cadeiras, com um espaço no meio com microfones e colunas e à frente do mesmo um espaço onde se podia dançar. Rapidamente uma senhora veio ter connosco, cumprimentou-nos e convidou-nos a sentar. Quando demos por nós estávamos todos sentados a uma mesa com um copo na mão cheio de cerveja Beerlao quente servida com gelo. Todos se aproximavam de nós para fazer um brinde e rapidamente nos apercebemos que antes de termos o copo vazio já nos estavam a atestar. A boa educação mandáva-nos aceitar, mas tinhamos uma hora de remo ainda pela frente e ficar alcoolizado não dava jeito. Recomeçou a música e a pista de dança encheu-se num instante, surgindo de imediato convites para que nos juntássemos também. Nenhum de nós cedeu à dança e começámos a entreolhar-nos questionando como nos escaparíamos dali. Chegou a um ponto que tivemos de começar a recusar mais bebida tentando explicar que não podíamos, mas eles não percebiam absolutamente nada do que lhes dizíamos. Só resultavam os gestos. Por fim, lá conseguimos aproveitar uma pausa da música e levantarmo-nos muito decididos em direção à saída. Mas não sem levarmos todos para casa um carinhoso abraço da senhora que nos recebeu.

Foi todo um momento mega intenso e inesquecível. Mas o mais giro é que não faço a mínima ideia quem seriam os noivos, mas lá que tinham um festa animada e bem regada lá isso tinham.