Mudar de vida – de dentro para fora

Gosto imenso de mudanças de vida. Adoro histórias de pessoas que fizeram mudanças bastante radicais. Mas hoje venho falar-vos de um ponto super importante que talvez ainda não tenha dado o devido destaque, ou pelo menos não de forma direta.

Para mim, uma verdadeira mudança de vida é uma mudança que vem de dentro para fora. É uma mudança que se dá no nosso interior, somos nós enquanto pessoa que mudamos. E essa mudança interna não implica se quer que algo mude por fora. A verdade é que normalmente quando mudamos significativamente por dentro, inevitavelmente sentimos que temos de fazer mudanças externas de forma a alinharmos o nosso “novo eu” com a maneira como vivemos. E é nesse momento que nos enchemos de vontade para fazermos mudanças externas visíveis na nossa vida.

Mas isso também pode não acontecer, porque cada caso é um caso. Muitas vezes não precisamos mesmo de mudar nada por fora, só precisamos de nos mudar a nós e a nossa postura perante as coisas. E se assim for, quando se dá a mudança interior percebemos que afinal até conseguimos ser felizes com a vida que já construímos e com aquilo que já fazemos ou já temos. Aliás, um bom exemplo disso é o episódio 11 do podcast onde entrevisto a Sofia Mais Feliz, que sofreu uma verdadeira mudança interior e sentiu que não precisava de fazer nenhuma mudança radical externamente.

Durante muitos anos da minha vida senti que andava perdida. Sabia que não estava exatamente no sítio certo, mas também não sabia para onde ir. Sempre depositei o meu foco na minha vida profissional e sempre achei que o meu problema era não fazer algo que gostasse, mas também não sabia exatamente o que me realizava. Fui testando e saltitando de um lado para o outro. Comecei em design numa agência, depois tentei os eventos, voltei ao design mas do lado do cliente, depois passei para o marketing e parece que não acertava. Até que finalmente mudei-me para o marketing digital e aí sim, peixe na água. Gostava daquilo, era muito boa a fazê-lo e sentia que conseguia conjugar várias coisas que gostava. A parte criativa e a parte analítica. Só que apesar de ter finalmente encontrado uma profissão que me realizava, sentia-me mais miserável do que nunca. Sentia-me mais infeliz do que nunca. E porquê? Porque fiz mudanças apenas por fora e não mudei nada por dentro. E foi nesse desespero que percebi que só havia uma solução para mim, eu tinha mesmo de me transformar, mas transformar de dentro para fora. Na altura não fazia a mínima ideia do que estava a fazer, mas comecei por uma aprendizagem integrada, o 3º gatilho da mudança que vos falei no artigo anterior, mas logo percebi que não era suficiente para mim. Assim, fazer a minha viagem a solo pelo mundo foi a solução perfeita que apareceu diante de mim. A viagem, o gatilho da aventura, que teve a capacidade de gerar em mim uma forte mudança interna e que, obviamente, me pediu que eu alinhasse também a minha vida exterior com a minha nova versão.

Por isso, digo-vos por experiência própria, se querem mudar a vossa vida de nada serve fazer apenas mudanças externas. Mais cedo ou mais tarde só vão sentir frustração. Uma mudança de vida tem de partir do interior. E depois é que a parte exterior tem de se alinhar com ela.

Até podem começar exatamente pela parte externa. Até podem querer mudar e perceberem que o primeiro passo pode ser despedirem-se do vosso trabalho, acabarem um relacionamento ou outra ação mais drástica. Mas isso deve sim ser usado como gatilho para a mudança interior e não considerado só por si a mudança que querem. De que vos serve apenas despedirem-se do trabalho? Nada. Mas se se despedirem com o intuito de iniciarem um processo de auto-descoberta e construírem um novo caminho alinhado com a vossa essência, talvez no fim obtenham uma verdadeira mudança. Talvez nesse momento estejam em condições de seguir em frente com uma vida externa mais alinhada com as descobertas internas que fizeram, com quem perceberam que são e com o que querem realmente para a vossa vida.

Mas chamo a atenção que devemos ter cuidado com as ações drásticas que tomamos. Apesar de eu ser uma adepta da aventura, sei que é importante tomarmos decisões com total responsabilidade sobre elas e preparados para assumirmos quaisquer consequências.

Eu quando me despedi para ir viajar tinha a certeza absoluta que não queria voltar a trabalhar ali, mas mesmo assim deixei a porta aberta. Nós nunca sabemos o dia de amanhã e eu não sabia quem seria eu quando voltasse da viagem. Tudo podia acontecer. Por isso, é importante que as decisões drásticas sejam tomadas com certezas. Se não tens essas certezas talvez o ideal seja primeiro perceberes exatamente quem és, começares por fazer a tua aprendizagem integrada e depois da mudança interior logo mudas o que tiver de ser. Imagina que no fim acabas por perceber que depois da mudança interna que fizeste até queres mesmo continuar no trabalho onde estás, ou na relação que tens ou a viver na cidade que vives ou qualquer outra coisa… 

A mensagem fundamental que quero passar é mesmo esta: uma mudança de vida deve vir de dentro para fora.

E, acima de tudo, ninguém é obrigado a mudar. A mudança faz parte da vida, mas qualquer mudança, seja mais pequena ou mais radical, deve ser feita somente se considerares que precisas mesmo dela para seres mais feliz. No fundo, isto de mudar é somente isso. Fazermos por nós e pela nossa felicidade.

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