O despertar da consciência

Quando cheguei ao Myanmar evocaram-se as memórias e passei toda a minha estadia no país embrenhada no passado. Senti que o meu avô me acompanhou durante toda a viagem e revivi saudosamente a minha infância.

Eu cresci no campo. Até aos meus 10 anos o monte dos meus avós não tinha eletricidade nem casa de banho. E sabem que mais? Sinto tantas saudades desse tempo. A minha vida era mais pura e mais saudável. É assustador quando percebo o quanto as coisas mudaram nos últimos 20 anos. A sociedade evoluiu a um ritmo galopante. Mas será que evoluiu para melhor? Em muitas coisas certamente, mas de uma coisa tenho a certeza. Somos hoje menos responsáveis e piores pessoas, olhamos só para o nosso umbigo e damos tudo como garantido. Achamos que merecemos ter coisas só porque sim e tornámo-nos nuns consumistas irresponsáveis.

Nesta viagem tenho-me deparado com paisagens absolutamente maravilhosas. A mãe natureza e as suas criações têm o poder de me emocionar. No entanto, deparei-me com uma realidade que não esperava. O LIXO. O lixo, seja qual for, é jogado no chão como se fosse o sítio indicado para o colocar. Em Yangon, andei num comboio circular que tinha uma sinalética que dizia “No Littering”. Pois bem, é preciso respeitar as regras, por isso toda a gente atirava todo o tipo de lixo pela janela do comboio. É assustadora a quantidade de lixo nas margens da linha de ferro. O problema aqui reside em pura ignorância. Esta população não faz a mínima ideia que atirar o lixo para o chão, para a natureza, é uma coisa má e prejudicial para o planeta. Estes países não têm qualquer educação ambiental. E isto afetou-me realmente.

Por outro lado, durante a minha estadia nas pequenas vilas das minorias étnicas, percebi o respeito que eles têm pela água, que é escassa e de difícil acesso, e como a utilizam tão mais sabiamente do que nós. Por esta altura li também uma notícia sobre o Dia Zero na Cidade do Cabo e fiquei perplexa. Fiquei perplexa sobretudo porque era uma situação que podia ser evitada se a população tivesse sido mais consciente e reduzido o consumo de água atempadamente. Somos demasiado egoístas. Acreditamos que o pior nunca nos vai acontecer, até ser uma realidade já.

A questão é que estamos a matar o planeta a passos largos. E matar o planeta também é nos matarmos a nós mesmos e às nossas gerações vindouras.

Se por um lado é urgente criar educação ambiental nos países sub-desenvolvidos, por outro lado é ainda mais urgente reduzir o desperdício e a poluição nos países desenvolvidos. Nos dias de hoje, em que temos acesso desmesurado ao conhecimento, não faz sentido continuarmos a fechar os olhos e a achar que não é nada connosco. Não podemos continuar a ver nas notícias as catástrofes naturais a acontecerem e acharmos que não temos culpa nenhuma.

É altura de buscarmos ao passado aquilo que ele tem de melhor, saber viver com pouco, saber viver apenas com aquilo que realmente precisamos. Pelo menos foi a conclusão que retirei de tudo isto pelo qual tenho vindo a ser impactada. Quero reduzir a minha pegada ecológica e sentir que, apesar de ser apenas uma gota no oceano, eu estou a fazer a minha parte.